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TRAGÉDIA

Família de João Vitor não quer que nome vire denominação de praça pública

Sugestão foi apresentada pela prefeitura à família da criança, que morreu há um ano, enquanto brincava no espaço público do Bairro Floresta

Postado em 05/07/2018 às 08:56 | Atualizado hoje às 10:46

(Foto: Leandro Souza)

(Foto: Leandro Souza)

(Foto: Leandro Souza)

(Foto: Leandro Souza)

A vida do casal Michele da Cruz  e Vanderlei dos Santos, pais do pequeno João Vitor Oliveira Santos, mudou completamente desde a tarde de 11 de junho do ano passado.

Era um domingo quando o menino, que recém tinha completado 9 anos, pediu ao pai para brincar com os amiguinhos no Centro de Vivência do Bairro Floresta. Um espaço construído no final da rua Bem-ti-vi, via sem muito movimento que termina justamente num fundo de vale. Não havia nenhum risco para as crianças, não fosse um painel de concreto construído e inaugurado pela prefeitura de Cascavel em 2012.

O painel caiu sobre o corpo de João Vitor, que segundos antes já havia alertado os colegas que o muro estava balançando.

Retornar ao local da tragédia é um tormento para a mãe da criança. “É uma ferida que não cicatriza e acho que nunca vai cicatrizar”, lamentou a dona de casa com lágrimas nos olhos. O casal tem mais três filhos: um garoto de 14 anos, uma menina de 13 e a caçula de 7 anos.

Para Vanderlei dos Santos, pai do pequeno João Vitor, quanto mais o tempo passa a saudade se entrelaça numa confusão de sentimentos. Ele trabalha na construção civil e disse que nunca imaginou o acidente, apesar de que na única vez em que esteve no local já havia percebido que o projeto foi mal executado. “Não consigo entender como foram fazer isto aqui (centro de vivência) tão mal feito em um terreno úmido. Se cavar um metro já encontra água”, condenou.

Como forma de manter a memória do pequeno além das faixas e cartazes afixadas no espaço público, a prefeitura de Cascavel estuda reformar o local e transformá-lo numa praça que passaria a ter o nome da vítima, João Vitor de Oliveira Santos. Michele não concorda com a homenagem. “Isso não vai devolver a vida do meu filho, não quero isso”, sentenciou. Vanderlei é menos incisivo em relação a ideia do nome do filho ser emprestado ao projeto do município, mas adverte: “Podem até dar o nome dele, mas só aceito depois da justiça ser feita”. 


Processo

A investigação do caso está na 16 Promotoria. Qualquer alteração poderá ocorrer após uma reunião programada para os próximos dias entre Ministério Público e o advogado da família, Vanderlei Ferreira.

O laudo da perícia apontou que os materiais usados na construção do muro, que na época custou R$ 70 mil, foram inferiores em relação o que exigia o projeto. O engenheiro que assinou a obra reside atualmente em Sorocaba, interior de São Paulo e não foi encontrado para receber a intimação que o convoca para prestar depoimento em carta precatória, que é quando o intimado está longe da comarca onde o caso é investigado. Ele pode ser ouvido na cidade onde mantém o endereço atual e o documento na sequência enviado para a cidade origem.

O centro de vivência continua aberto pois no local tem uma fonte onde os moradores buscam água, mesmo a prefeitura tendo informado que ela é imprópria para o consumo humano, após análise feitas a pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A parte que sobrou do painel foi totalmente derrubada. A prefeitura tem a intenção de transformar o local numa praça, mas para isso depende da conclusão do processo judicial. O promotor criminal da 16 Promotoria, Alex Fadel, já informou que o caso não cabe à sua vara criminal, pois não houve intenção de matar, afinal, foi um acidente.

No entanto, já adiantou que há irregularidade no projeto que exigem indiciamento dos responsáveis. Por isso o advogado da família deverá se reunir com ele nesta semana. O defensor preferiu só conceder entrevista ao Portal da Cidade Cascavel após o encontro com o promotor.

Fonte: Leandro Souza

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